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Pesquisa aponta cartão de crédito como vilão do endividamento familiar

Com as restrições de deslocamento impostas pela pandemia de Covid-19, a internet desponta como solução para muitas compras, com pagamento via cartão de crédito. No entanto, o recurso deve ser usado com responsabilidade, pois  os juros dos cartões de crédito são os mais altos do mercado. Mesmo aquisições em saídas rápidas para mercados ou farmácias do bairro podem gerar um aumento considerável de gastos e, quando chegar a fatura, vem também o endividamento.

Infelizmente essa já é uma realidade para 66,6% das famílias ouvidas na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento divulgado no dia 14 de abril mostra endividamento com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, entre outros. É o maior percentual de famílias desde o início da realização da pesquisa, em 2010. O cartão de crédito é a principal modalidade de endividamento, conforme 77,6% dos entrevistados, seguido de carnês (17,5%).

Quando bem usado, é solução. Porém, quando é feito apenas o pagamento da parcela mínima do cartão de crédito, obrigatoriamente é gerado um parcelamento em crédito fixo, o que pode fazer aumentar essa despesa e também o endividamento. Por isso é fundamental que o uso do cartão seja muito bem avaliado.

Para quem já estava endividado mesmo antes da pandemia, o ideal é procurar sua instituição financeira o quanto antes. Falar com o gerente e realizar um parcelamento do cartão de crédito o mais alongado possível, e brigando pela menor taxa de juros, para que essa parcela caiba no orçamento. Importante também guardar os comprovantes!

Conforme avaliação da própria CNC, a pesquisa também revela que, apesar das dificuldades com a quarentena, as famílias entrevistadas estão conseguindo quitar os compromissos com empréstimos e financiamentos. Mas também aí mora o perigo. Mesmo com o Decreto 10.305/2020, que zera a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de operações de crédito por 90 dias, e com bancos anunciando facilidades para financiamentos, é preciso analisar cada caso.

É necessário comparar as taxas oferecidas agora com o que era praticado antes do Decreto 10.305 que zera a taxa do IOF. Ainda, é preciso avaliar se há uma renegociação ou reescalonamento da parcela. Se as parcelas são jogadas para frente, não pode ter juro embutido, pois é um benefício que está vindo em virtude do plano de incentivo de combate à pandemia. Mas se for uma repactuação, aí haverá aumento do endividamento, pois será cobrado juro sobre juro, elevando o saldo devedor. Fique atento.

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